Cavalos Garranos na Peninha
O Lobo observa da Peninha os cavalos garranos que chegaram do Gerês para guardar a serra. São seis — um macho e cinco fêmeas — e vieram para pastar, para prevenir incêndios, para renaturalizar a paisagem. É o 40.º aniversário do Parque Natural Sintra-Cascais, e a natureza celebra-se com cascos e crinas.
Seis habitantes novos na serra
No dia em que o Parque Natural Sintra-Cascais celebrou 40 anos como área protegida — 15 de outubro — a serra ganhou seis novos habitantes. Provenientes do Gerês, um macho e cinco fêmeas de cavalos garranos foram largados na zona da Peninha, num parque com cerca de 50 hectares onde encontraram as mesmas condições de clima e altitude a que estavam habituados.
A chegada dos garranos não é um acto simbólico. É uma ferramenta viva de gestão da paisagem. Estes cavalos, de pequena estatura, pelagem castanha e crinas negras, são pastores naturais — alimentam-se dos matos que, se acumulados, alimentam os incêndios. Ao pastar, abrem clareiras, promovem a biodiversidade e reduzem o risco de fogo.
Os garranos são a resposta da natureza à própria natureza. Não há maquinaria que faça o que eles fazem com os cascos e o instinto.
Uma raça autóctone, uma missão dupla
Para além do papel ecológico, a presença dos garranos na Peninha representa também uma forma de salvaguardar esta raça autóctone — uma raça que resiste ao frio, à chuva e à escassez, e que faz parte do património genético português.
A iniciativa conta com o apoio da Direção Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV), e a manada será monitorizada ao longo dos próximos anos. Cada animal está equipado com uma coleira eletrónica com GPS, que permite avaliar o seu impacto na vegetação e garantir o seu bem-estar.
Renaturalizar a serra, gerar valor
A vinda dos garranos para o Parque Natural Sintra-Cascais insere-se num projeto maior de rewilding — de renaturalização dos ambientes naturais e urbanos. O objetivo, a longo prazo, é que a serra se torne um lugar mais "selvagem", onde os serviços de ecossistemas são restaurados e valorizados, e onde a natureza não só regenera a paisagem como cria valor económico para as comunidades locais.
40 anos de Parque Natural
Criado a 15 de outubro de 1981 como Área de Paisagem Protegida de Sintra-Cascais, e elevado a Parque Natural em 1994, o Parque Natural Sintra-Cascais abrange mais de 14,5 mil hectares de um património natural ímpar. São conhecidas mais de 900 plantas nativas e mais de 200 espécies de animais, incluindo espécies de conservação prioritária, como o miosótis-das-praias.
Desde 2007, a Câmara Municipal de Cascais e a Cascais Ambiente desenvolvem diversas iniciativas de gestão, promoção e proteção do Parque. A chegada dos garranos é mais um passo nesse caminho — um passo dado a quatro patas.
🐾 Cavalos Garranos na Peninha
Visita o site oficial da Cascais Ambiente e conhece todo o projeto de rewilding do Parque Natural Sintra-Cascais.
Observação do Lobo
Conheço o vento que varre a Peninha. Conheço o tojo e a urze que se agarram à serra. E conheço o fogo que já levou demasiado. Mas os garranos chegaram para ficar — e com eles, a esperança de que a serra se possa curar a si mesma.
Estes seis cavalos não vieram para ser admirados. Vieram para trabalhar. Para pastar o que o homem não consegue cortar. Para abrir caminho à biodiversidade. Para lembrar que a natureza tem as suas próprias ferramentas — e que às vezes a melhor gestão é deixar que ela se faça.
O Lobo guarda a noite. Os garranos guardam a serra. E nós, que olhamos de longe, podemos guardar o que aprendemos com eles — que a vida selvagem não é um luxo. É uma necessidade.
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