Rio Águeda
Afluente da margem esquerda do Vouga, o Águeda nasce na Serra do Caramulo e dá nome à cidade que atravessa. São 40 quilómetros de vida, memória e tradição.
Estamos na margem do Águeda, num fim de tarde de verão. O sol ainda aquece a pedra onde nos sentamos. O rio desce da serra com um rumor que se vai fazendo mais calmo à medida que se aproxima da planície.
Nasce na Serra do Caramulo, a mais de mil metros, no lugar de Monteteso. São 40 quilómetros até ao Vouga. Antes, porém, banha São João do Monte e a cidade que lhe deu o nome – Águeda. As suas várzeas férteis foram o chão onde a cidade cresceu.
Dizem os antigos que as águas do Águeda traziam sorte. Quem nelas se banhasse no dia de S. João ficava livre de maleitas para o resto do ano. E que os Mouros, antes de partirem, esconderam um tesouro numa gruta junto à ponte – mas ninguém o encontrou ainda.
Em São João do Monte, o rio criou a Praia Fluvial do Paraíso, entre a Ponte Nova e a Ponte Velha, esta de traço românico. Mais abaixo, outras praias – Talhada, Redonda, Bolfiar, Souto Rio – enchem-se de gente nos meses de Verão. A Penha da Firme, a maior cascata da serra, esconde-se no seu leito.
As margens são bordejadas por amiais, freixiais e salgueirais. Nas águas, a lampreia-marinha, o sável, a savelha e a enguia-europeia sobem para se reproduzir. A truta-de-rio habita a bacia todo o ano. O Águeda e o Cértima, com a Pateira de Fermentelos, formam um Sítio Ramsar – uma zona húmida de importância internacional. O rio que dá nome à cidade é também o rio que a sustenta.
Observação do Lobo
O Águeda é um rio que se fez cidade. Deu o nome a Águeda, mas também lhe deu vida – as várzeas férteis, os moinhos, as lavadeiras, os pescadores. É um rio que desce da serra com pressa, mas que se demora na planície, como quem sabe que o importante não é chegar – é estar. Senta-te na sua margem. Ouve o rumor da água. E percebe que um rio nunca morre: apenas muda de nome.
Leva estas palavras contigo, para quem quiser seguir o mesmo cheiro:
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