Rio Cértima
Afluente da margem esquerda do Águeda, o Cértima nasce na região da Mealhada e serpenteia 43 quilómetros por vales férteis até à Pateira de Fermentelos, onde as suas águas se encontram com a lagoa.
O Cértima nasce devagar. Não em queda, nem em fonte – nasce da terra, no encontro de vários fios de água que se juntam perto da Mealhada, em Ponte de Viadores. Ali, ainda nem parece um rio. É um curso que se adivinha entre os campos.
Mas vai crescendo. Passa por Anadia, por Oliveira do Bairro, por Águeda. São 43 quilómetros até à Pateira de Fermentelos. No caminho, atravessa quatro concelhos. As suas margens são férteis – o arroz, o milho, as hortas. Durante séculos, foi o sustento de quem ali vivia.
Dizem que o rio se chamava Cértoma, e que a rainha Santa Isabel, ao passar por ele, lhe terá dado outro nome. Outros contam que a origem é celta. O que se sabe é que a lenda e a terra se confundem nas suas margens.
Os moinhos de água moíam o cereal ao longo do curso. As lavadeiras iam de joelhos sobre as pedras, esfregando a roupa com sabão e batendo-a contra a corrente. Os pescadores lançavam as redes. O moliço era apanhado nos braços mais calmos. E nos campos, o trabalho da terra nunca parava.
O Cértima desagua no Águeda, em Requeixo, mas antes perde-se na Pateira de Fermentelos. As suas águas, ao encontrarem a lagoa, espalham-se. Os vales do Águeda e do Cértima, em conjunto com a Pateira, são um Sítio Ramsar – uma zona húmida de importância internacional. O rio que alimenta a lagoa é também o rio que a sustenta.
Observação do Lobo
O Cértima é um rio que não tem pressa. Nasce na terra da Mealhada, atravessa quatro concelhos, e vai-se fazendo lagoa. É o rio das várzeas férteis, dos moinhos, das lavadeiras, dos pescadores. É o rio que alimenta a Pateira e que, ao fazê-lo, se perpetua. Senta-te na sua margem. Ouve o rumor da água. E percebe que um rio nunca morre: apenas se espalha.
Leva estas palavras contigo, para quem quiser seguir o mesmo cheiro:
Para partilha sensorial: Copia as que sentires mais tuas.
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