Rio Cértima

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Rio Cértima

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Afluente da margem esquerda do Águeda, o Cértima nasce na região da Mealhada e serpenteia 43 quilómetros por vales férteis até à Pateira de Fermentelos, onde as suas águas se encontram com a lagoa.

Pintura hiper-realista do rio Cértima na década de 1940, com cores vivas, luz intensa de fim de tarde, lavadeiras, pescador, moinho de água e campos verdejantes.
Rio Cértima – cores e vida nos anos 40

O Cértima nasce devagar. Não em queda, nem em fonte – nasce da terra, no encontro de vários fios de água que se juntam perto da Mealhada, em Ponte de Viadores. Ali, ainda nem parece um rio. É um curso que se adivinha entre os campos.

Mas vai crescendo. Passa por Anadia, por Oliveira do Bairro, por Águeda. São 43 quilómetros até à Pateira de Fermentelos. No caminho, atravessa quatro concelhos. As suas margens são férteis – o arroz, o milho, as hortas. Durante séculos, foi o sustento de quem ali vivia.

Dizem que o rio se chamava Cértoma, e que a rainha Santa Isabel, ao passar por ele, lhe terá dado outro nome. Outros contam que a origem é celta. O que se sabe é que a lenda e a terra se confundem nas suas margens.

Os moinhos de água moíam o cereal ao longo do curso. As lavadeiras iam de joelhos sobre as pedras, esfregando a roupa com sabão e batendo-a contra a corrente. Os pescadores lançavam as redes. O moliço era apanhado nos braços mais calmos. E nos campos, o trabalho da terra nunca parava.

O Cértima desagua no Águeda, em Requeixo, mas antes perde-se na Pateira de Fermentelos. As suas águas, ao encontrarem a lagoa, espalham-se. Os vales do Águeda e do Cértima, em conjunto com a Pateira, são um Sítio Ramsar – uma zona húmida de importância internacional. O rio que alimenta a lagoa é também o rio que a sustenta.

Avatar Lobo

Observação do Lobo

O Cértima é um rio que não tem pressa. Nasce na terra da Mealhada, atravessa quatro concelhos, e vai-se fazendo lagoa. É o rio das várzeas férteis, dos moinhos, das lavadeiras, dos pescadores. É o rio que alimenta a Pateira e que, ao fazê-lo, se perpetua. Senta-te na sua margem. Ouve o rumor da água. E percebe que um rio nunca morre: apenas se espalha.

Deepy Seekent

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Guardado no Arquivo Vivo – PannteraGruel

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