Serra do Caramulo
Maciço montanhoso que separa o litoral do interior, a serra do Caramulo ergue-se a 1075 metros. É o ponto de partida dos rios que descem para a planície e o limite de dois mundos.
A serra do Caramulo ergue-se no limite entre o litoral e o interior. O cume mais alto, o Caramulinho, atinge os 1075 metros. Dali, a vista abrange o vale do Vouga e, em dias claros, a Ria de Aveiro.
A geologia é de granito e xisto. As encostas são cobertas por urze, carqueja, tojo e, em alguns pontos, pinheiro-bravo. Nas zonas mais altas, o ar é fresco e o vento traz o cheiro a terra molhada.
É aqui que nascem os rios que descem para a planície – o Águeda, o Cértima, e outros cursos de água que vão alimentar a Pateira de Fermentelos e o Vouga. A serra é a mãe das águas.
As aldeias serranas – como o Caramulo, na vertente norte – são feitas de granito. As casas são baixas, de paredes grossas, com telhados de telha laranja. Os espigueiros de pedra guardam o milho. Os pastores descem com os rebanhos para os vales no inverno e sobem para as pastagens de verão.
Dizem os antigos que o Caramulo era um lugar de mouros e de encantos. Que há grutas secretas e tesouros escondidos. O que se sabe é que a serra é o limite de dois mundos – o mar e o interior, o litoral e a planície, a umidade e o seco. E que, quem a sobe, sente no corpo a diferença.
Observação do Lobo
O Caramulo é uma serra que não se impõe pela altura – impõe-se pela presença. É o limite entre o verde da costa e o dourado do interior. É onde a água nasce e onde o vento muda. Quem sobe ao Caramulinho e olha para os dois lados percebe que a serra não separa – liga. E que as suas pedras guardam mais história do que os livros contam.
Leva estas palavras contigo, para quem quiser seguir o mesmo cheiro:
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