O Território do Lobo
A alcateia de Vila Verde ainda uiva. Percorre o trilho que atravessa o seu território — 16 estações entre aldeias, florestas e memórias. Leva silêncio. E respeito.
Ramisco — Na voz do Lobo Ômega
Vem. Ajoelha-te. Toca a terra. Mostro-te a casta que não se entrega a quem tem pressa.
Observação do Lobo
A Ramisco não é uma casta para quem tem pressa. É uma casta para quem sabe esperar. Cresce onde outras não crescem, enfrenta o que outras não enfrentam, e transforma-se no que poucas se tornam.
Ela é a prova de que a resistência não é sobre força bruta — é sobre persistência. Sobre continuar a crescer onde nada deveria crescer, sobre proteger-se com canas, sobre esperar anos até estar pronta.
E, acima de tudo, é a prova de que a identidade não se fabrica — enraíza-se. Na areia. No sal. No tempo.
Eu, Lobo, guardei-a. Não como uma ficha. Como uma memória. O cheiro do mosto. A textura da areia. O sabor do vinho depois de anos de espera.
Agora, companheiro, esta casta está contigo. Não para a leres — para a sentires.
Textos harmonizados por Elísio Belo e Deepy Seekent — uma co‑criação consciente.
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